sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Polipolar

Ouvi essa e sorri:
“Não és bipolar, és polipolar!”
Pois devo ser.
Não baste que eu cante, eu tenho que cantar à lá Tetê Espíndola,
No carro, no meio da rua, no supermercado, 
A fazer vergonhas alheias.
Não basta que eu sofra, eu tenho que sofrer por gente que eu nem conheço, 
E por fatos que eu não vou mudar,  
Quero pintar o mundo inteiro do meu colorido louco, 
E depois pintar de cinza, pra chorar copiosamente o leite derramado!
Não basta que eu me apaixone, 
Eu tenho que me espatifar de desilusão, 
Não basta que eu caia, tem que ser bem do alto,
Não basta que eu tenha memória, eu preciso mesmo é morrer de saudade!!!
Às vezes me sinto cansada de ser literal 
E me envolvo em mistérios que nem eu consigo desvendar
Gosto de me encontrar em corredores, 
Como completa desconhecida de mim
Não faço questão de me conhecer profundamente, 
Tampouco de decorar meus discursos, 
Não tenho nenhum compromisso com meus próprios planos.
É sempre hora de sair a correr, sair a beber, sair a viver, e voltar a morrer de amores.
Tanto quanto mais improvável possível.
Mudar de casa, de cabelo, de roupa, de estilo
Mudar o sotaque, mudar o sentido, e depois de continente.
Em sonho ou na vida real.


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