domingo, 30 de agosto de 2015

Ode às coisas que morrem


Gentes.
Há quem morra, há quem deixa de existir, há quem deixa de sentir. Deixar de ouvir também é um meio de morrer. 
Bicho.
Não percebo bicho morrendo, porque não entendo bicho nascer. 
Flor.
Morre mesmo. Na janela, na encosta, na estrada, no vaso. E vive muito pouco.
Lembrança.
Lembrança é diferente de memória, memória morre dentro, lembrança morre fora de nós, deixa de vir, deixa de aparecer, e pronto, morreu.
Esperança.
Morre de cansada. Se hospeda em nós, sempre a espera de outrem, de coisas que nunca chegam, e morre também.
Ilusão.
Essa morre todo dia. No fundo já nasce morta, fazemos-lhe o parto da coisa, que não há de respirar suficiente.
Felicidade.
Não confie, morre also. Em dias invernais, em infernos astrais, em músicas tristes.



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