sábado, 27 de junho de 2015

Tinto (a seco)

Eu bebi, 

Ele escorreu...
Escorreu-me pelos dedos, 
Foi a força, foi a fé, foi a dor...
Escorreu pela boca, 
Pelos poros, 
Pelos olhos.
Eu não, o sangue é que corria...
Galopava, fugia, me ardia.
Eu sim, ficava e derretia,
A descer, remoer, a verter... 
Esvaziei todas elas.
As garrafas, a alma, a vida.
Tanta coisa essa taça me trouxe, 
Tanto mais levou!
Quando ela veio, vieste...
Quando ela foi, me arrastou
Lentamente, me esvaio...
Tentando entender a razão,
Por que vens, como vais, 
Por que fico?

 

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