domingo, 3 de fevereiro de 2013

Dezesseis




É engraçada, mágica, lúdica, quase infantil a química do amor… Por mais que se tenha amado, por mais que se tenha vivido, é sempre como ter dezesseis outra vez… E toda aquela fórmula da qual se tem consciência, perde a materialidade. Tudo que se pode sentir é a angústia do minuto a seguir, como se nunca tivesse estado sozinho, nunca se tivesse magoado, nunca tivesse sofrido antes. E todo esse sofrer, todo esse desespero e tudo que esse momento furta, produz uma paz que é louca, um silêncio ensurdecedor, e a sensação é a de que essa sensação nos deixa mais sozinhos…
O amor repete uma vez… E depois repete, repete, mas é sempre único. E é como um vicio esse tremor que dá na alma, essa incerteza de que tudo passa (e passa!). Isso é meu e eu não lamento. Não tem cabimento achar que alguém pode viver sem saber o que é isso, sem entender ou participar,  não se deixar amar ou temer ser amado.
Essa é a magia de dezesseis: ter compromisso com o ar que falta, com a falta que faz não saber, não perceber. É querer ver tudo nublado no dia de sol, ter braços a pensar que são laços, um mar é pouco pra navegar… Voto por ter dezesseis todos os dias, ainda que essa angústia me consuma, ainda que me interpele trinta e duas vezes por dia, é vida que se sente pelos poros, é sentimento que corre pela veia; o coração não é só mais uma bomba, assume vida própria, autônoma, descontrolada e quanto mais audaz melhor.
Quem não teve dezesseis não viu sonho, nem fantasia, nem desengano, nem mais alegria, que ironia, eu diria! É preciso ter dezesseis várias vezes numa vida para que ela seja inteira. É preciso voar nessas asas de espaço sem fim, sem desconfiar que mais tarde vai cair… mas não tarda volta a voar!

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