sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tratado particular sobre guarda-chuva


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Há alguns (muitos…) anos eu fiz um propósito muito simples: nunca ter guarda-chuva. E isso merece uma explicação, a mim mesma, já que sempre que chove, eu penso, repenso e acabo por renovar os meus votos de fidelidade ao propósito. O caso é que num dia de chuva, não um qualquer, mas um dia em que alguma coisa, que a essa altura perdeu completamente o sentido, eu chorava mais do que chovia e pensei: pra que serve o guarda-chuva? Única e exclusivamente para nos guardar da chuva! E o que é a chuva? E que mal nos faz a chuva? Eu não sou feita de açúcar (descobri porque não tenho qualquer traço de doçura…)!! Eu sou forte! Eu venço batalhas, eu mato um leão por dia (e lido com outros animais menos dignos tb), eu luto, eu corro, eu sou capaz de escolher, de dizer sim, de dizer não!!! Por que eu haveria de ter medo da chuva?? Eu aceito ter guarda-chuva, se em contrapartida for inventado um guarda-aborrecimentos, um guarda-desilusões, um guarda-desamor, um guarda-preconceito entre tantas outras coisas que acontecem sem que eu tenha condições de prever, escolher, ou parar, assim como a chuva, que a mim, fazem muito mais mal do que… água! Que exagero, haverão de pensar… Exagero, exagero… exagero é não reparar que a chuva que cai vem sem pedir, vai sem dar satisfação, a água seca e tudo segue. É assim que a vida, é assim que prefiro.

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